PERITO RESTAURADOR - (11) 3676-0249 - rielli@restauro.com.br |
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TÉCNICAS, DICAS E RELATOS
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Patrimônio mal cuidado perde valor comercial. |
Conceito: O que é restauração? Conservação de Quadros no Brasil. |
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RESTAURAÇÃO
OU REFORMA ?
O primeiro, chamado de arqueológico ou museológico, consiste em conservar o sítio exatamente como ele se encontra, preservando o local tal como ele se encontra, identificando separando o entulho real dos elementos pertencentes e pertinentes à construção original, selecionando das quais partes esses elementos provieram, e de acordo com a facilidade apresentada, recolocalos ao lugar original, e finalmente proceder ao suporte técnico e material para estagnação do processo degenerativo gerado pelo tempo e por fatores estranhos aos naturais. Esse tipo de processo, estende-se desde o reforço estrutural, até a simples limpeza e conservação física do sítio como um todo, sempre lembrando que a originalidade do local deve ser preservada a todo custo, e de nenhuma maneira admite-se a inclusão de novos elementos complementando assim o original. Esse é o tipo de restauro é usado principalmente na Europa, e um bom exemplo é o Coliseu de Roma, onde nada foi acrescentado desde que se iniciou o processo de conservação e restauração.
O segundo tipo de restauro, o ilusionista, é aquele que é subdividido em duas partes: A primeira, é idêntica ao restauro arqueológico, os mesmos procedimentos são realizados, seguindo todas as etapas. A segunda parte, consiste em acrescentar ao sítio, as características semelhantes às originais que este possuía do quando de sua construção ou mesmo de alguma época pós reforma.
Desde que os materiais empregados para esse fim (a reconstrução), sejam de constituição diferente dos originais, não haverá a homogeneidade entre estes, o que sempre será um divisor entre o original e o restauro ilusionista. Um bom exemplo, seria de um prédio originalmente construído com pedras, e as partes ausentes, reconstituídas com tijolos tipo “Ciporex” (material novo, poroso, muito leve, próprio para construções). Na parte de acabamento, das paredes, pisos, forros, guarnições de portas e janelas etc.; deve-se usar materiais e elementos semelhantes aos originais, respeitando contudo as divisões entre as partes originais e as refeitas. Nesses casos, pode-se salientar tais limites de divisões, através de espaços claramente demarcados com outros elementos ou mesmo com desenhos ou veios contrários aos originais.
Quanto a pintura, podem ser usadas as de “q.s.p.” baseados em P.V.A pois as pinturas originais, de manufatura geralmente rudimentar, muito raramente e, em alguns casos especialíssimos, conseguem resistem ao tempo. O envelhecimento artificial das pinturas irão dar o “cache” de antigüidade e uma melhora substancial na estética de todo sítio.
A “restauração” mais praticada no Brasil, é na verdade, uma reforma!
O que vem a contradizer os dois conceitos básicos de restauração descritos anteriormente, visto que é usada para refazer uma nova estrutura, sem a preocupação de distinguir, proteger e preservar o original, mantendo apenas o interesse no aspecto estético e arquitetônico na apresentação final do trabalho realizado.
Ocorre que nessas reformas, são usados costumeiramente materiais e elementos idênticos e de mesma procedência dos originais, que vem acarretar com o passar do tempo, a fusão entre original e reconstruído, sendo praticamente impossível a ação de reversibilidade do feito, que é regra obrigatória da restauração. Embora o aspecto da construção e do sítio, após a reforma possa parecer de excelente qualidade, preservando as características da construção original, não significa que este foi restaurado! Esse procedimento de simples reforma, aplicado como se fora restauração, pode ser facilmente constado em várias igrejas, museus e prédios históricos do país.
“A restauração, é a arte de apenas recompor e conservar um original”
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PATRIMÔNIO MAL CUIDADO PERDE
VALOR COMERCIAL
Obras de arte
que passam anos e anos penduradas na parede, suportando todas as mazelas climáticas de
nossas indefinidas estações, acabam adquirindo uma camada graxosa, composta de inúmeros
elementos corrosivos e degenerativos. Esta camada é o ambiente propício para o
desenvolvimento de fungos e bactérias, que desidratam e alteram a pigmentação original
de uma pintura.
Segundo o
perito e restaurador de obras de arte Carlos Rielli Jr., “é preciso uma ação
preventiva para evitar que o dano causado pelo tempo prejudique o valor artístico e
comercial da obra”.
O processo de
restauração é composto, basicamente, por três fases distintas: testes preparativos em
toda a capa pictórica (até nos menores tons das cores básicas); restauração
propriamente dita, que consiste na remoção de resquícios de verniz e da camada graxosa,
limpeza completa da capa pictórica e eliminação e remoção de colônias de fungos
impregnadas na tinta; refixação de toda a capa pictórica na tela (que vai paralisar o
processo de “craquelagem” na tela).
“Após todo
este trabalho é preciso, ainda, aplicar uma camada de verniz ‘Adaubert’ e, sobre
este, dar o retoque ilusionista (pigmento puro mais água), quando necessário. E, enfim,
aplicar mais três camadas distintas de verniz “‘Adaubert’”, explica Rielli.
Conforme os padrões internacionais de restauração,
qualquer trabalho realizado em uma obra de arte deverá ter o padrão de reversibilidade.
Afinal, cabe ao restaurador devolver a obra de arte a sua beleza original.
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CLIMA
TROPICAL ACABA COM AS OBRAS DE ARTE
O s
países, sofrem através de suas obras de arte, quadros principalmente, as conseqüências
de que em um mesmo dia, e diversas vezes ao dia, contar com as intempéries de
todas as estações do ano. O quadro, usa basicamente em sua manufatura, madeira,
tecido, base mais pigmentos coloridos naturais, que de acordo com a temperatura
ambiente, podem dilatar-se ou retrair-se. Nos países europeus, esse tipo de
“movimento” nos quadros, acontece naturalmente durante o ano, nas entradas e
saídas da estações climáticas que são muito bem definidas. Portanto, o europeu,
desenvolveu um tipo de verniz ideal para os seus quadros, que a séculos vem
sendo usados. Sim, muito bom para os quadros em países de clima definido, jamais
para os tropicais! O tipo de verniz por eles utilizado, quando aplicado em quadros
em zonas tropicais, a base de “Goma Damar”, cria uma película sólida e inflexível,
e quando existe a natural movimentação do restante do quadro, sem que a capa
de verniz acompanhe esse movimento, surgem os craquelados de intensidade de
sinistro, o descolamento da capa pictórica, assim como o apodrecimento precoce
da tela. A única maneira para que isso seja evitado, é usando um verniz a base
de um composto de ceras vegetais e animais, que tem como características a maleabilidade,
ou seja, o verniz “andará” junto com o restante do quadro, deixando-o hidratado
e integro pelo tempo em que este se fizer presente
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RESTAURAÇÃO
DE PAINÉIS
Em decorrência da poluição atmosférica nas grandes
cidades, toda obra de arte esta sujeita a adquirir uma camada graxosa, composta de inúmeros
elementos corrosivos e degenerativos, criando assim ambiente propício para o
desenvolvimento de fungos e bactérias aeróbicos, os quais desidratam e alteram a
pigmentação original de uma pintura, assim como alteram as características estéticas
da obra. A ação preventiva do restaurador, impede que a obra de arte chegue a um ponto
que o dano causado pela ação do tempo, venha a prejudicar o valor artístico e mesmo
afetar seriamente seu valor comercial.
No painéis hora em perícia, podemos notar claramente um
processo de decomposição em andamento, afetando assim, a qualidade artística e visual
da obra.
Os referidos painéis, ainda apresentam sinais de sinistro
grave, devido a atos vândalos.
Desde que, o objetivo principal, é a exposição e conservação
da obra, a necessidade de uma apresentação digna da qualidade e do efeito visual dos
painéis, se faz extremamente necessários.
O processo de restauração, a ser aplicado nestes painéis,
consiste primeiramente em uma bateria de testes, em todas as matizes, em todos os
pigmentos, assim como em toda a estrutura da obra. O segundo passo, é a limpeza, a remoção
de todos os vernizes e restauros anteriores, assim como de toda a camada graxosa, que este
apresentam. Somente depois disso, é que o processo de recomposição, será iniciado.
Estando os painéis desinfetados e refixados, será procedida
a etapa de restauração dos setores que não apresentam a forma original, preparando-os
com produtos reversíveis para os retoques e reparos, onde necessário. Caso a análise química
do pigmento permita, será passada a primeira camada de verniz neutro tipo "Adaubert",
e, sobre esta primeira camada de verniz receberá o retoque ilusionista, ( pigmento puro mais água ), quando se fizer
necessário. Finalmente aplica-se três camadas distintas de verniz neutro tipo "Adaubert"
, evitando assim o excesso de luminosidade sobre o painéis, e conferindo a este, uma cor
mais uniforme e natural.
No caso específicos dos painéis em análise, recomendo a
aplicação de três camadas extras de verniz “acrílico forte”, verniz este, que
suportará com mais facilidade as intempéries a que estes painéis estão sujeitos. Este
verniz, permite a lavagem periódica do painel, limpeza esta que poderá ser executada pôr
leigos.
De acordo com os padrões internacionais de restauração, todo trabalho
executado em uma obra de arte, deverá ter padrão de reversibilidade, não afetando
nem modificando em nenhuma circunstancia o original do artista.
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Com essa definição, vamos encarar o restauro como uma ciência exata
que cuida de preservar e recompor aquilo que já foi criado. É muito grande a diferença
entre restaurar e reformar, são coisas completamente distintas, pois o restauro preserva
na totalidade as características atribuídas à obra pelo autor e, reforma, atribui uma
nova “alma” a obra de arte.
A origem do restauro, vem do tempo dos homens das cavernas, onde o
desejo de preservar a criação de outra pessoa, logrou no desenvolvimento de técnicas
especiais para tal fim. Na idade média, até
tempos mais recentes, os produtos usados, eram os fornecidos pela natureza, usava-se bílis
de boi (emoliente de pigmento), polvilho azedo (contra fungos) etc. Hoje em dia, usam-se
produtos mais atuais, área onde me dedico bastante e de uma feroz combatividade frente
aos tradicionalistas. Por ex:, uso antibiótico onde se usava de polvilho azedo, e
silicone como substituído à bílis bovina.
O restaurador, deve obedecer a certas regras como a respeitar a
reversibilidade do trabalho por ele feito, pois se assim não fosse, um quadro de 500
anos, seria uma sobreposição de vários restauros, deixando o original, escondido! O
restauro bem feito, e realizado por um profissional gabaritado em Fine Art´s, nunca irá
desvalorizar ou depreciar a obra, claro que dentro de um critério onde o sinistro não
envolva na perda total de características principais da obra, como por exemplo o rosto do
personagem principal, fato este que força o restaurador a dar seqüência ao “criar”
para poder manter ao menos a estética da obra, uma vez que o valor comercial e artístico,
se foi!
Existem três tipos de restauro, o arqueológico, ou museológico, onde
nada é acrescentado a aparência final da obra, visando preservar sem maquiagem a obra
como ela está no dia da conservação ou o que restou dela. O tratégio, uma técnica que
retoca o original através de micro-bastões multicoloridos, proporcionando ao expectador
situado a uma certa distancia, uma situação de plenitude da obra original, sem danos.
Apenas chegando perto é que se nota os locais de restauro.
E por fim, a mais usada, o ilusionismo, que é o tipo de restauro
reconstrutor, que retoca a obra nos locais de sinistro, conforme era na original, mas sem
contanto tocar fisicamente no trabalho do artista.
É simples como isso é possível...
quando um quadro aparece com um furo, as providências tomadas pelo restaurador são:
_a desinfecção
da obra,
_a reconstituição
da base (ex: remendo na tela por traz)
_a nivelação
através de massa mineral
_o isolamento
dessas áreas afetadas.
_e a aplicação
de camadas múltiplas de verniz.
Quando o próximo restaurador for trabalhar com a mesma obras, um
simples removedor de vernizes (que não afeta a tinta) irá retirar todo o verniz, e por
conseguinte qualquer pigmento que se encontre sobre este!
Todos materiais, colas, ceras, solventes, tintas, massas etc. utilizadas
pelo restaurador em um trabalho, obedecem necessariamente à condição de
reversibilidade, ou seja, podem ser removidas sem afetar o original.
Dentre danos mais freqüentes em uma obra de arte,
vamos usar a pintura como exemplo, estão em primeiro lugar as condições atmosféricas,
a graxa produzida pela poluição das cidades (antigamente originária de velas, fogões a
lenha etc), aos maus tratos que a obra passa através de sua “vida”, e acreditem, pela
quebra do suporte ou do prego que segura a tela na parede!
Para a exposição correta de uma obra de arte,
deve-se evitar ao máximo, a incidência das intempéries sobre tal obra. O sol direto,
umidade, calor excessivo, choques térmicos, desidratação, são fatores que precisam ser
observados. Os locais de exposição de tal obra, devem ser refrigerados, livres de
umidade e parasitas, e longe das correntes de ar!
Quanto à conservação simples, é necessário e recomendado a passagem
de um espanador de plumas uma vez por semana. Apenas e tão só isso!!!!
Efeito secundário-
tão logo esteja seco a proteína ou o amido desses vegetais, será iniciado um processo
de desenvolvimento de colônias de fungo nos resíduos destes o que acarretará uma
opacidade sobre a pintura e a curto espaço de tempo um grave sinistro sobre a capa pictórica.
Efeito
imediato- hidratação da capa pictórica realce de brilho e cores.
Efeito secundário-
Assim como o exemplo anterior, o efeito de desidratação será semelhante, apenas levando
um pouco mais de tempo para tal fato acontecer.
Uma pequena passada de flanela na obra, passada por
50 anos contínuos, todos os dias faria que o efeito do desgaste fosse semelhante a 10
minutos de lixa! Já pensou o estrago? Pois é o que costuma acontecer.
. Colocar esparadrapo, adesivos ou fita gomada na
parte de trás do quadro.
Efeito secundário - A “goma”, não seca! Ficando ali, um
nicho perfeito para o desenvolvimento de fungos, bactérias e insetos.
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A HORA CERTA DE RESTAURAR
No caso de um sinistro, limpeza ou mesmo um ajuste no chassi,
não tenha dúvidas, chame um restaurador! Moldureiros, cuidam da moldura ...e
isso não deve ser esquecido!
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A ARTE DE COMPRAR ARTE !
O ideal a fazer, é você comprar a peça, ou mesmo reservá-la mas levar a um perito que possa identificar a autenticidade, a época, à qualidade e a compatibilidade de valores dentro de critérios de avaliação. Tal segurança, será muito importante principalmente na hora da venda, pois um perito dará tal instrução mediante a um documento, que não perde o valor a não ser em raros casos de contestação por um perito ainda mais capacitado. Tal documento chama-se “Expertise”, e quanto mais cara for à obra, de mobiliário a quadros, esta se faz ainda mais necessária. Nesses casos, o “tenho certeza”, o “juro que foi de meu bisavô” ou mesmo o “eu vi o artista pintando” caem por água abaixo ou se comprovam, mas para um futuro comprador essa certeza de um investimento seguro, facilitará em muito a revenda. Aí você verá que os valores cobrados de 3% a 6% do valor da obra para identificação, são até mesmo barato. Caro mesmo, é pagar 100% de algo que não vale nada!
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CONCEITO: O QUE É RESTAURAÇÃO?
“Restauração é a arte de recompor um original “
Quando você possui uma obra de arte em sua casa, nunca poderá esquecer que ela, diferentemente de sua mobília, faz “parte da família”. Além de seu valor estético, artístico e decorativo, existe o valor comercial. Uma obra de arte, para manter inalterado os valores artíisticos e comerciais, deve obedecer a uma série de critérios. O primeiro desses critérios, é a conservação da originalidade da obra, que significa voce ter integralmente, o mais fidedigno possível a obra tal qual o artista criou. Imagine voce se um quadro de 500 anos de idade, tivesse sofrido uma restauração a cada 30 anos... hoje, o que existiria seria uma sobreposição de restauros e o original estaria completamente perdido. Pos isso, é usado um critério de reversibilidade do restauro, que a cada conservação ou a cada restauração, o profissional restaurador remove tudo o que seu antecessor fez ou adicionou á tela orginal, refazendo o processo novamente desde o princípio.
Para um
melhor entendimento: Um quadro que foi rasgado, passará a ser sempre um quadro rasgado, o
restaurador apenas dará a impressão que tal dano não exista, aplicando uma
“maquiagem” na região afetada. A essa técnica, que é a mais difundida e aceita no
Brasil, da-se o nome de “Restauração Ilusionista”. Tal técnica, feita com materias
de padrão compatível com a reversibilidade, não acarretará a obra a perda de seu valor
artístico ou comercial.
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DICAS
DE RESTAURAÇÃO
1º Capítulo - Como avaliar se um quadro precisa restauro
ou conservação?
Quando você estiver analisando um quadro, preste a atenção
se existem setores esbranquiçados, ou mesmo pontos que se pareçam com água respingada e
depois seca, minúsculos furinhos em forma de micro vulcões, pó cor de areia, mofo,
alteração de cores... esses fatores
isolados ou em conjunto, são indícios de colônias fungo, muito comuns em paises de
clima tropical.
O segundo fator de sinistro é a camada graxosa,
decorrente de poluição atmosférica ou mesmo da nicotina do cigarro. Esse tipo de dano
atribui uma espécie de veladura sobre a pintura original, escondendo contrates de luz e
sombra, amarelando a composição, tirando a perspectiva e denegrindo a qualidade pictórica
da obra, além de agir como um corrosivo para o pigmento.
O terceiro e mais grave fator é o craquelamento da capa
pictórica, que se deve ao ressecamento do q.s.p. do pigmento, que sem dúvida alguma
poderá acarretar um sinistro irreversível em seu quadro caso não seja tratado a tempo.
Isso é de simples identificação, pois inicialmente a tinta apresenta pequenas
rachaduras, em uma primeira fase, riscos esporádicos horizontais e verticais, e depois
micro quadriculados em toda a extensão da tela.
Esses três fatores acima apresentados, não são os únicos, mas são os de ocorrência mais comum em um quadro. São processo que levam a decomposição da obra, e quando tratados a tempo, além de devolver ao quadro todo seu esplendor artístico, conservam o valor artístico e comercial de seu patrimônio.
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O
CASO SALVATTORE
Arlindo Salvattore era meu amigo, um grande colecionador de arte além
de meu cliente de restauração. Era um italiano do sul, bravo, rigoroso, exigente e
normalmente estava com o humor abalado. Em um determinado dia no inverno de 87, em um leilão
realizado por um outro amigo meu e também cliente, que aqui vou chamar de Paulo Pereira,
Salvattore arrematou um quadro maravilhoso, animalista de um pintor chamado Cavalheiro
Scognamiglio. Eu
sempre fui bom na identificação do Scognamiglio, um pintor do séc. XIX, especialista em
campo, animais e cotidiano. Ele era um pintor nascido no sul da Itália e que teve uma grande
produção artística. Sei que Salvattore comprou o Scugnamiglio por um bom preço e enviou o
quadro diretamente para eu realizar uma limpeza básica e aplicação de proteção
antifungicida. Quando olhei pro quadro, comentei com Salvattore que o quadro era bom, bom
até demais, nunca tinha visto algo tão bem feito por Scugnamilho, que era até
surpreendente para a capacidade pictórica do pintor. Comecei a limpeza em uma tarde de
quinta feira, tarde fria, chuvosa, e acho que foi isso que me motivou a ir limpando o
quadro de modo que na sexta à tarde, ou seja, após 24 horas eu ainda estava debruçado
sobre o quadro, extasiado com as cores, sombras e formas que apareciam. Quando comecei a
limpar em torno da assinatura, (em torno porque a assinatura propriamente não se deve
limpar; ela
sempre deve portar o sinal dos tempos a camada de sujeira de graxa e de vida, conservando
aí todo o histórico e originalidade possível do quadro) notei que a parte de baixo da
assinatura começou a soltar pigmentos diferentes dos originais do trabalho, e sob esses
pigmentos descolados, apareceram vestígios de uma letra! Rezei para que não fosse o que
eu estava pensando, mas era...
a segunda letra apareceu, e a terceira.... indício forte, digo
mais que isso, certeza que era uma segunda assinatura coberta, provavelmente a do pintor
original o que matematicamente comprovava que o quadro tinha sido falsificado!! Bem, o
Salvattore, caso estivesse de bom humor e com o astral bem alto, iria apenas matar o Paulo
Pereira por esse fato, ou seja, ter vendido um quadro falso a ele. Pensei bem, fiquei meio
perdido, afinal os dois são meus amigos e bons clientes e resolvi o seguinte: iria ligar
primeiramente para o Paulo, informando o fato, para que ele providenciasse o dinheiro para
desfazer a venda e depois para o Salvattore, que era quem havia contratado meus serviços,
avisando o ocorrido. O Paulo entrou em pânico, disse que iria correr para o doleiro,
reunir o dinheiro e ir imediatamente para a casa do Salvattore. Nesse meio tempo, liguei
pro Salvattore e dei a noticia... – Encontrei outra assinatura em teu quadro ! O homem surtou,
berrou, praguejou, esperneou e disse um rosário de palavrões tão grande que muitos eu
nem sabia que existiam.
Fiquei
preocupado, resolvi ir ao encontro dos dois, levei o quadro pois sabia que o negócio iria
ser desfeito de uma forma agressiva, e achei que deveria ser da forma menos traumático
possível. Provido de um algodão embebido em Dermatil Formamida, passei sobre o vestígio
da assinatura para terminar de remover a camada de tinta que escondia a original, e assim
que saiu todo o retoque, tive a maior surpresa de minha vida... apareceu a assinatura
de Fillipo Palizzi ...
ninguém menos que “Fillipo Palizzi”! Os quadros desse pintor, valem pelo menos
10 vezes mais que os pintados por Scognamiglio, e diga-se de passagem, era um excelente
Pallizi !
Peguei
o quadro e fui correndo pra casa do Salvattore. Quando lá cheguei, já na porta de
entrada, pude ouvir o Salvattore praguejando, xingando o Paulo Pereira de todos os nomes,
onde estelionatário era o mais bonitinho dos nomes. Quando me deparei com
os dois, Salvattore abraçava a pasta com os dólares, e o Paulo Pereira tentava contornar
a situação pra não perder o cliente. Foi quando fiz a revelação sobre a verdadeira
autoria do quadro, e na mesma hora, Salvattore sem perder a entonação
o timbre de voz e a ferocidade completou – “É como eu sempre digo, por mais que me
tentem fazer de bobo, negócios por mim realizados são definitivos, não volto atráz por
nada” e dizendo essas palavras, jogou a pasta de dinheiro para o Paulo Pereira, que por
sua vez, com os olhos esbugalhados sobre o Pallizi, não queria de forma alguma aceitar o
dinheiro de volta. A briga foi longa, durou um tempão, Salvattore explicando que ele
tinha ficado bravo, mas nem tanto e que quadro comprado era fato consumado, e Paulo
Pereira, dizendo que o negócio havia sido desfeito com devolução de dinheiro,
identidade de artista incorreta e tudo mais..... No fim, o quadro
acabou ficando com o Salvattore; ainda bem, senão iria sobrar apenas para a humanidade!
O que aconteceu nesse fato, foi o seguinte: na época de guerra, da
segunda, os alemães tinham relações de pintores que deveriam ser requisitados pelo
Reich, então as pessoas cobriam as assinaturas originais, sobrescrevendo com a de pintores
menores. Como a guerra durou muito tempo, a retirada da assinatura falsa foi relegada ao
futuro, e assim até hoje existem muitos e muitos caso semelhantes. Também em caso de
divisão de herança ou divórcio tal procedimento era (ou ainda é ?) adotado.
Essa foi uma História real, acontecida em 1.987
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E
Monet foi parar
na U.T.I. !
Era uma terça feira, das mais comuns do mês de Julho de 1.992, noite,
frio, e estar presente naquele instante diante de um quadro em frangalhos, era normal em
meu trabalho de restaurador. O telefone tocou, e em um total desespero meu interlocutor
num tom semelhante a súplica e ansiedade, disparou sem piedade: - O Monet....estraguei o
Monet !!!! Fiquei chocado, atônito; naquele momento eu não poderia avaliar a extensão
do sinistro, o que exatamente havia acontecido, podia apenas pensar que uns dos quadros
mais lindos e importantes que já estivera em meu atelier, poderia estar irremediavelmente
perdido!
O jatinho me esperava nas
primeiras horas da manhã seguinte, com os motores ligados, tripulação a postos e todo
meu material de restauro de emergência embarcado. Levantamos vôo rumo a um estado nordestino
as 7:45 e três horas depois, estávamos aterrizando na fazenda do aflito, desesperado,
inconsolável e talvez ex-proprietário de um autêntico Monet. Meu coração disparava, a
cada passo que me aproximava da tela. Por fim, o quadro! Como um doente em estado crítico
e terminal, o quadro me foi confiado. Uma cratera! Isso...uma cratera! É o que parecia o
imenso rasgo em forma de cruz de exatos 15 x 12 cms que sangravam o quadro na parte
inferior direita da pintura, a apenas milímetros da assinatura. Tons de verde mesclados
com sépia e cobalto, desfraldavam uma rica marinha, com o mar em movimento constante e
barcos dispostos ao sabor das ondas. Uma profunda emoção tomou conta de mim, quando
tomei a consciência que eu, e apenas eu, seria responsável pela recuperação de tal
obra de arte.
A primeira providência foi
isolar e manter fixa a área de sinistro da tela, de modo que o efeito “terremoto” do
furo, não atingisse outras partes da obra, nem
acarretasse ainda mais descolamento de pigmento. Depois da refixação total da capa pictórica,
fio a fio, reconstituída a trama da tela, preenchidos os espaços vazios com composto a
base de caulim, lixados, isolados e nivelados os espaços, veio por fim, a parte mais difícil....o
retoque final! Meu Deus...o resultado havia ficado espetacular! Não se notava sequer o
local do sinistro, e as cores do retoque, como por mágica, se mesclaram às do grande
mestre, deixando o restauro imperceptível. Com todo cuidado e esmero, sobrepondo-se os
vernizes, as veladuras chegou-se ao final da recuperação da tela, onde depois de 18 dias
de um profundo mergulho nessa tarefa, emergi de uma viagem que pareceu ser de apenas um átimo.
Por fim, Monet saiu da U.T.I. apresentando um plástica impecável, uma saúde perfeita
embora reversível, e com muito, mas muito mais segurança que antes, foi repousar em seu
nicho na parede principal da sala.
O diagnóstico?? Monet estava salvo, completamente restabelecido!
E o mundo das artes aliviado por não perder um de seus filhos.
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Conservação de Quadros no Brasil.
Todas as regras aplicadas mundialmente (leia-se Europa)
para a conservação de pinturas a óleo, não podem
de maneiraalguma ser aplicadas em quadros que estejam no Brasil. Devido ao nosso
clima tropical, e a riqueza de nuanças de temperatura, desde as tórridas
nordestinas às tênues sulistas, tornam todo material usado na composição
de uma pintura, completamente inadequados. Começando pela própria
tinta, cujo Q.S.P. (veículo do pigmento) a base de óleo, tem no
prazo médio de sete anos uma secagem total e completa, acarretando com
isso, devido ao ressecamento total, o início do processo de craquelagem.
A preparação da tela, normalmente a base caulim lixado e isolado, deveriam ser elaborados a base de P.V.A (composto usado em colas brancas e tintas tipo látex, no o mais recomendável para o caso brasileiro, já que esses materiais conservam a elasticidade da base da pintura). O chassi (a estrutura de madeira sobre a qual a tela de pano é esticada), em sua grande maioria, é feito sem cunhas (manchões próprios para controlar a tensão do tecido), e esse fato, costuma em uma freqüência muito grande, acarretar uma flacidez na trama do tecido da tela, propiciando o descolamento da capa pictórica e por fim um sinistro irreparável na pintura. Por fim os vernizes, novamente sempre os de origem e fórmulas européias, onde o clima definido e fiel às quatro estações do ano, não requerem nenhum tipo de elasticidade. No Brasil, como temos as quatro estações as vezes em um único dia, o único verniz adequado, seria um verniz maleável às intempéries, portanto a base de um composto de cera animal e vegetal. Ainda assim, a pintura está constantemente submetida á ação dos fungos aeróbicos presentes o ano todo em nosso clima tropical, e implacavelmente haverá um ataque sobre o pigmento da tela, tão logo esta entre em contato com algum tipo de umidade, seja ela atmosférica ou proveniente da parede em que o quadro está dependurado. No primeiro caso, a umidade atmosférica, podemos através de uma constante manutenção de uma grossa camada de verniz na tela, com produtos antibióticos misturados a estes, resolver o caso. E quanto a umidade da parede onde o quadro está dependurado, a simples colagem na parede de uma fina placa de isopor poderá vir a isolar a tela do contato direto da temperatura "fria" da parede, tornando a temperatura total do quadro, semelhante a do ambiente a que está exposto.
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Conservação e Responsabilidade
A palavra conservação, engloba um
completo universo de técnicas e práticas, quando associada à
obras de arte. O simples fato de possuir uma pintura, faz de você acima
de tudo, um responsável direto pela manutenção e guarda
dessa obra! Claro que você adquiriu, que detém a posse do quadro,
mas isso, não faz de você o senhor absoluto dessa obra, pois ela
foi criada, concebida e imaginada por alguém, que detém e sempre
deterá o crédito de sua criação. O fato de que geralmente,
o valor artístico estar estreitamente ligado ao valor comercial de uma
obra, ajuda e incentiva para que essa obra seja melhor e mais perfeitamente
conservada.
Um quadro, quando não conservado e tratado, com o passar dos anos, vai perdendo sua elasticidade, o Q.S.P. (veículo condutor do pigmento), resseca-se ao passar de médios 7 anos, e a partir daí, o processo de decomposição da capa pictórica e da base da pintura, como tela, madeira, cartão etc., é irreversível (caso não tratado), acarretando com isso, sérios danos à qualidade visual, artística e comercial desta obra. rte.
Fator "condições climáticas", são os maiores inimigos de seu quadro, pois como no Brasil, não contamos com inverno rigoroso, a proliferação de fungos aeróbios e anaeróbios que atuam sobre e sob a capa pictórica, são inúmeros. ( Caso tivéssemos um inverno como nos países Europeus, ciclicamente, os fungos mais nocivos, desapareceriam nessa época do ano, não dando assim, continuidade à colônia estabelecida no corpo do quadro.), também o fato de termos 4 estações climáticas em um mesmo dia, magoa de forma profunda a composição como um todo. Outro fator de grande relevância, é a grande poluição atmosférica a que estão sujeitas as grandes cidades, poluição essa, que atribui a capa pictórica, uma camada graxosa intensa, de alto poder corrosivo e degenerativo. Somado à esses agravantes do cotidiano, contamos ainda com o fato de que uma obra de arte, tem vida, por mais inerte e estática que possa aparentar! A tela, de acordo com a temperatura ambiente, pode estar mais o menos retesada, e quando a capa pictórica está ressecada, isso acarreta a craquelação do pigmento, e por conseguinte, o desprendimento de parte da tinta da tela. A tela base, ou seja, o tecido usado para a pintura, também entra em rápido processo de decomposição, chegando ao total apodrecimento em algumas dezenas de anos. Tudo isso somado ao verniz inadequado as condições climáticas brasileiras (pois o verniz a ser usado no Brasil, para um clima tropical, necessariamente deve ser um composto a base de cera, que possa "andar " junto com a pintura, em uma mudança abrupta de clima), torna seu quadro, sua obra de arte, um sério candidato a acarretar um aborrecimento extra para você e para seu bolso. A solução desses inevitáveis problemas, é a conservação periódica de suas obras de arte. O restaurador, revigorará o Q.S.P., da capa pictórica, regulará a tensão da ela, e rehidratará toda a estrutura interior e periférica do quadro. Um restaurador gabaritado e habilitado, pode definir qual o método ideal de recuperação ou de simples conservação a ser adotado em sua obra, adiando com isso, por tempo ilimitado a vida e sobrevida artística e comercial de seu inestimável acervo.
A aplicação de quaisquer produtos que não específicos para restauração, como cebola, batata, lustra móveis, jiló etc., vão ajudar tremendamente o desenvolvimento de fungos na capa pictórica, e envernizar um quadro sem antes estereliza-lo complemente, significa fazer um Sandwich de graxa e fungos entre o verniz recente e o antigo. E lembrem-se que todo restauro feito por aquela "tia" que entende de quadros, fatalmente levará a um sinistro irreversível de seu quadro querido!
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O
Goya que virou GOIA.
O GOYA GOIA ..
Um colecionador de arte, muito conhecido e muiiiiito famoso, entrou em contato
comigo para uma conversa sobre uma perícia técnica que eu teria
que fazer em um quadro de pintor europeu. Muito normal até aí,
pois compradores conscientes sempre tomam esse tipo de atitude quando vão
comprar algum quadro ou alguma obra de arte, para não ter a triste noticia
que foi enganado quando precisar vende-la ou então ter que ouvir, lá
do além, os xingamentos dos herdeiros.
Bom, o caso é que esse colecionador já tinha adiantado aos proprietários
da obra o valor de U$ 40.000,00 apenas pela preferência de compra e direito
de realizar a pericia por alguém de sua confiança. Combinamos
meu honorários, prazos e tipo de certificado que eu emitiria e, depois
de tudo acertado, ele propôs dobrar o valor que eu havia pedido. Surpresa
né? Claro que tinha coisa... o quadro estava em Cuba, país sabidamente
severo no tocante a compra e retirada da ilha de bens não turísticos,
além do risco da atuação de um profissional não
autorizado pelo governo local na qualidade de perito. Porém, a atribuição
da autoria, era simplesmente de Francisco Goya, meu cliente pagaria pelo quadro
U$ 8.000.000,00 e o deveria revender por mínimos R$ 20.000.000,00 na
Europa. A parte mais complicada seria retira-lo de Cuba, por esse motivo que
os proprietários se sujeitavam a vende-lo por valor tão aquém
do original, mas para isso, meu cliente tinha seus contatos. O valor de meus
honorários, logicamente cresceram muito em relação a essas
quantias, ao tamanho da responsabilidade e principalmente ao risco que eu me
exporia diante do fato que eu faria parte integrante desse esquema.
Embarquei com destino a Cuba com escala no Panamá, com a bagagem atulhada
de toda uma parafernália de lâmpadas, produtos químicos
de teste, ferramentas, equipamentos eletrônicos de teste e todo o apoio
simples, que certamente eu não encontraria na ilha para comprar. Até
mesmo algodão eu levei daqui do Brasil. Já no avião, fui
morrendo de medo de ser pego com tudo isso, poderia ser facilmente comparado
a um terrorista visto que o que eu levava, não teria o menor sentido
um turista carregar, e em hipótese alguma, poderia contar meu real objetivo
da viagem, com o risco de ficar preso em Cuba. Quando cheguei, hospedei-me em
um hotel de categoria européia, como constava em meu contrato de trabalho,
e, na manha seguinte, não sabendo o que me esperava, fui chamado à
recepção por dois senhores cubanos que se identificaram como representantes
do proprietário do quadro, e que me levariam ao local da pericia. Me
apresentaram uma perícia autenticada de 1.988, feita por um marchand
espanhol, atestando a autenticidade do quadro, perícia essa que parecia
ser válida, bem detalhada, descrevendo exclusivamente a capa pictórica,
ou seja os méritos e deméritos da pintura sem que fosse investigado
o conjunto da obra.
O carro com que vieram me buscar era um Chevrolet 55, um caco! Não sei
como aquilo ainda andava, parecia carro de filme de final dos tempos. Mas conseguimos
chegar. Era em um lugar horrível, parecia cativeiro de seqüestradoR,
entramos por essa coisa, passamos por diversos corredores entramos em outras
casas, tudo como se fosse um labirinto, O que logo notei ser, por precaução.
Finalmente entramos em uma sala pequena, e lá estava o quadro, coberto
com uma pano. Um quadro grande, de 1,86cm X 1,12cm com uma pintura linda.. linda
mesmo! O quadro era "Agustina de Aragon na Batalha de Zaragoza" atribuído
à Francisco José de Goya y Lucientes, nascido em Fuendetodos Zaragosa
Espanha em 30 de Março de 1.746 e morto em Bordeaux, França em
15 de Abril de 1.828. O histórico, parte muito importante da identificação,
era perfeito. O quadro era de uma família notável espanhola residente
na ilha que teve quase tudo confiscado pela revolução, salvando
poucas peças de arte, entre elas o Goya. Falei com um dos familiares
que confirmou a história e disse que o quadro havia sido adquirido pelo
seu bisavô em Madrid e que tinha o recibo de compra de confiável
galeria da época.
Comecei a perícia técnica,utilizando o recUrso da luz ultra violeta,
da infra-red, de testes químicos de dureza, testes de pigmentos, de idade,
analises do tecido, da trama da tela, da aglutinação do pigmento,
das cores que eram características da época, enfim usei todos
os meios que me eram disponíveis ali naquele cômodo. Quando parti
para a identificação visual, vi as marcas características
de idade da trama da tela, notei que a tinta possuía o craquelado peculiar
à data, assim como a sujeira e o verniz desgastado e talhado. Porém,
notei que a tela havia sido pregada apenas uma vez ao chassi, visto que não
possuía reentelagem parcial nem marcas de reforço para que tenha
sido esticada. O chassi por sua vez, era relativamente novo, sendo que atribuo
sua manufatura aos anos 70. Certamente o quadro poderia estar enrolado esse
tempo todo, e por isso não tinha marcas de outros chassi, nem marcas
que conferissem ao quadro que já estivesse sido fixado a alguma moldura.
A idade determinada da tela, foi através de analises na frente e no verso,
mas observando melhor, notei que as manchas de umidade, com aspecto de serem
muito antigas, e a sujeira dos tempos, não continuavam sob o chassi;
sob a madeira do chassi, encontrei um tecido limpo, sem marcas nem manchas,
sem nada e nenhum motivo para que eu pudesse atribuir uma idade superior a 40
anos. Também noteI que a resistência do tecido era ótima,
não apresentando a flacidez e decomposição peculiar a idade
de 300 anos de pseudo manufatura. Hora.. se o conjunto da obra (pintura + chassi)
foram feitas por um pintor que viveu durante os séculos XVIII e XIX,
como podia as evidências mostrar que a tela eram da segunda metade do
século XX? Conclusão.. o quadro era uma falsificação!!
Muito bem feita, mas completamente fake!
Quando os senhores que me acompanhavam me questionaram qual era minha opinião
sobre o quadro, minha resposta foi.... - Perfeito! maravilhoso... nunca vi um
quadro assim! (e nunca tinha visto mesmo...rs)
Depois dessa conclusão, tive que conviver com meus anfitriões
por mais três dias, que de acordo com o contrato era o tempo estimado
para a finalização da perícia. Quando se deduz que o quadro
é falso, a pericia termina nesse momento, já que depois de constatado
o fato, nada acontecerá para que essa conclusão técnica
seja revertida, mas naquela hora e naquele lugar, eu não iria deixar
isso evidente de modo algum.
Embarquei de volta ao Brasil, temendo ser abordado pela polícia todos
os minutos, mas tranqüilo de ter colhido provas suficientes para a minha
definição.
Meu contratante, ao contrário do que se possa imaginar, ficou feliz,
não por gastar os U$ 40.000,00 mais meus custos e honorários,
mas por deixar de perder os oito milhões que custariam caso tivesse adquirido
a falsificação.
Pois é, o Goya de Cuba, finalmente virou Goia!
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